Recordista mundial dos 400m com barreiras também é campeão olímpico
Alison dos Santos, o Piu, atingiu nesta semana o ponto mais alto de sua carreira. Aos 26 anos, o brasileiro se tornou o novo recordista mundial dos 400 metros com barreiras ao correr a prova em 45s80 na etapa de Zurique da Diamond League. A marca superou os 45s94 do norueguês Karsten Warholm, registrados na final dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021.
Nascido em São Joaquim da Barra, no interior de São Paulo, em 3 de junho de 2000, Alison começou no atletismo ainda adolescente, em um projeto social. O atleta chegou a pensar em desistir do esporte por ser tímido e por ter cicatrizes de queimaduras sofridas na infância. O apelido "Piu" surgiu justamente nos primeiros anos de sua trajetória no atletismo.
A ascensão de Piu foi rápida. Em 2017, ele terminou em quinto lugar nos 400m com barreiras no Mundial Sub-18. No ano seguinte, conquistou o bronze no Mundial Sub-20, antes de ganhar o título universitário mundial em 2019. Ainda naquele ano, disputou a final do Mundial de Doha e terminou na sétima posição, com 48s28.
O grande salto veio em 2021. Alison quebrou o recorde sul-americano dos 400m com barreiras seis vezes naquela temporada e chegou aos Jogos Olímpicos de Tóquio como um dos principais nomes da prova. Com 46s72 na final, conquistou a medalha de bronze e se tornou o primeiro brasileiro a subir ao pódio olímpico nos 400m com barreiras.
Em 2022, Piu conquistou o título mundial em Eugene, nos Estados Unidos, com 46s29, marca que durante anos permaneceu como seu recorde pessoal. Ele também se consolidou como um dos grandes nomes da Diamond League, competição na qual já foi campeão da classificação final em duas oportunidades.
Além do ouro mundial de 2022, Alison conquistou outra medalha olímpica de bronze, em Paris 2024, e foi vice-campeão mundial em 2025. Com isso, antes mesmo do recorde mundial, já acumulava dois bronzes olímpicos, um título mundial e uma prata em Mundiais.
O maior feito da carreira de Alison aconteceu em agosto de 2026. Em Zurique, ele completou os 400m com barreiras em 45s80, se tornando o recordista mundial da prova.
A marca encerrou um domínio de cinco anos de Karsten Warholm, que havia estabelecido o antigo recorde mundial, de 45s94, na final olímpica de Tóquio. Curiosamente, aquela mesma prova terminou com Warholm em primeiro e Alison em terceiro.
O recorde também colocou novamente o Brasil entre os países com recordistas mundiais no atletismo. Antes de Piu, o último brasileiro a estabelecer um recorde mundial em uma prova de atletismo havia sido Ronaldo da Costa, na maratona de Berlim, em 1998.
Diferentemente do futebol, o atletismo não costuma divulgar salários fixos dos principais atletas. Por isso, não existe um número público confiável sobre quanto Alison recebe por ano ou qual é seu patrimônio.
As premiações em competições, porém, permitem ter uma ideia dos valores envolvidos. Só pelo recorde mundial de 45s80, Alison recebeu US$ 80 mil, cerca de R$ 413 mil na cotação utilizada nas reportagens. Pela vitória em Zurique, recebeu mais US$ 10 mil, aproximadamente R$ 51 mil.
O brasileiro também vinha acumulando premiações nas etapas da Diamond League em 2026. Antes de Zurique, havia vencido outras quatro etapas do circuito. Somando as vitórias na competição ao bônus pelo recorde mundial e ao prêmio da etapa suíça, Alison já havia ultrapassado R$ 670 mil em premiações na temporada.
Além das premiações esportivas, Piu possui contratos de patrocínio, que representam outra fonte importante de receita. Empresas como Adidas e Allianz estão entre suas parceiras, mas os valores dos contratos não são públicos.