O que está acontecendo nas últimas horas na Copa do Mundo é inacreditável: a FIFA suspendeu a expulsão de Folarin Balogun, e o mundo do futebol está em rebuliço
Às vésperas do confronto das oitavas de final entre os anfitriões, Estados Unidos, e a Bélgica, uma verdadeira tempestade se formou em torno da suspensão do atacante americano. A FIFA invocou o controverso artigo 27 de seu código disciplinar para anular a punição, gerando uma crise sem precedentes.
De acordo com o jornal alemão Bild, por trás da decisão da FIFA estaria uma forte articulação política da administração do presidente Donald Trump. A investigação do diário destacou como Andrew Giuliani, chefe da força-tarefa para a Copa do Mundo, e o secretário de Comércio, Howard Lutnick, com o apoio de uma equipe de advogados, estudaram o caso para encontrar uma brecha e recorrer da suspensão.
Ainda segundo o Bild, o próprio presidente Donald Trump teria telefonado para o presidente da FIFA, Gianni Infantino, supostamente para pedir esclarecimentos sobre o caso. A FIFA não emitiu nenhum comunicado sobre o conteúdo da conversa, alimentando as suspeitas de que a decisão teve motivação política.
O artigo 27 do código disciplinar da FIFA concede ao Comitê Disciplinar o poder de suspender, parcial ou totalmente, a execução de uma sanção. Na prática, o jogador recebe uma espécie de "pena suspensa", com a condição de não cometer outra infração de gravidade semelhante, o que levaria à revogação do benefício.
A norma prevê o seguinte:
Poder do Comitê: O Comitê Disciplinar da FIFA tem a faculdade de suspender sanções.
"Pena Suspensa": O jogador é temporariamente perdoado e pode entrar em campo.
Condicional: A suspensão é revogada imediatamente se o atleta cometer uma nova falta grave durante o período de observação.
Houve um caso recente envolvendo CR7. Durante uma partida contra a Irlanda, Cristiano Ronaldo foi punido por conduta violenta, uma suspensão que ameaçava tirá-lo dos dois primeiros jogos da Copa do Mundo. Naquela ocasião, o craque português recebeu uma punição de três jogos, dos quais dois foram suspensos pela FIFA para não comprometer sua participação na fase de grupos.
"A decisão de ontem de suspender, por um período de um ano, a aplicação da suspensão automática de um jogo após o cartão vermelho recebido pelo jogador Folarin Balogun ultrapassou um limite intransponível.
O futebol, como qualquer outro esporte, baseia-se em regras, que são o alicerce de uma competição justa, honesta e transparente. Às vezes, as regras estão sujeitas à interpretação. Neste caso, não. Uma suspensão automática mínima de um jogo após um cartão vermelho não é uma faculdade discricionária e não requer a decisão de um órgão competente para ser aplicada. É um princípio consagrado no regulamento, que não pode ser objeto de exceções, muito menos no meio de um torneio em que vários outros jogadores se encontraram na mesma situação e cumpriram regularmente sua suspensão.
Quando a certeza das regras não é mais garantida por seus guardiões, a integridade do jogo fica em risco e a credibilidade da competição é comprometida. Da mesma forma, tal decisão cria um precedente perigoso no torneio em andamento, onde situações semelhantes exigirão agora um tratamento igualitário, em detrimento da própria competição.
O futebol é o esporte mais amado do mundo porque é um jogo belíssimo e goza de confiança porque é praticado em todos os lugares com as mesmas regras. Um torneio nunca é um evento isolado e, se tratando da Copa do Mundo, tem o poder de gerar consequências positivas ou negativas em todo o cenário do futebol. Expressamos nossa incredulidade diante de uma decisão tão sem precedentes, incompreensível e injustificável."
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