Jornalista da CazéTV destaca ainda a evolução da Seleção Brasileira e fala sobre as comparações entre Messi e Pelé
Em uma entrevista exclusiva à bet365 News, Fred Caldeira abordou alguns dos principais destaques da Copa do Mundo até o momento.
O jornalista da CazéTV destacou a evolução da Seleção Brasileira durante a competição, montou seu ranking de favoritas e opinou até mesmo sobre o possível novo formato da Copa com 64 seleções. Confira abaixo o bate-papo com Caldeira na íntegra:
Fred Caldeira: Acho que o Ancelotti achou, sim, o time titular. A saída do Raphinha acabou consertando um pouco o time. É difícil entender o quanto que foi da saída do Raphinha, o quanto que foi a entrada do Rayan, mas claramente a esperança do Raphinha ser protagonista era maior do que do Rayan ser protagonista, e acho que isso ainda é um fato. Então o teto do Raphinha poderia ser maior para essa Copa, só que o que o Rayan entregou contra a Escócia o que o Raphinha não conseguiu entregar nem contra o Marrocos e nem o tempo em que ele jogou contra o Haiti.
Gostei do losango no meio-campo, Matheus Cunha muito bem, o Danilo muito bem na direita, o Douglas Santos muito bem na esquerda - e as laterais eram uma grande tensão para a Seleção Brasileira. O Bruno Guimarães, cara, está jogando uma bola que eu nunca vi ele jogar nem no Newcastle. E é claro o Vinícius Júnior, né? É o grande protagonista da Seleção, um dos melhores jogadores de toda a Copa do Mundo, certamente o melhor do Brasil, então achamos sim o time.
Fred Caldeira: Acho que, neste momento, nenhum dos dois têm. O Endrick é por uma questão de onde ele pode jogar: já tem gente entregando muito. O Rayan entrou muito bem, então não acho que o Rayan deveria sair. O Matheus Cunha, que ocupa a vaga que poderia ser tanto do Neymar quanto do Endrick, também tem de ser o titular.
O Neymar é um caso diferente do caso do Endrick, porque é um cara que a gente ainda tem de entender fisicamente o quanto que ele consegue colaborar. Eu gostaria de ver os dois, caso o jogo peça, no segundo tempo contra o Japão. Porém, eu prefiro ver jogo a jogo do que olhar para a Copa do Mundo como um todo, então neste momento nenhum dos dois tem espaço no meu time titular.
Fred Caldeira: A que eu estou mais impressionado é a França. Eles estão tendo momentos de "showbol", então é um negócio realmente bastante impressionante. A Espanha foi um pouco abaixo do que eu imaginava, eu ainda estou com uma esperança de ver esse time melhorar, mas até aqui eles foram abaixo das minhas expectativas, assim como Portugal. Eu tinha expectativas menores para Portugal do que para a Espanha, mas eu acho que eles apresentaram menos elementos do que a própria Seleção Brasileira - e antes da Copa eu colocava Portugal à frente do Brasil na lista de candidatos.
Os Países Baixos, que não estavam e nem estão entre os melhores para mim, têm jogado um dos melhores estilos, com um futebol que está sendo um dos mais legais de ver. A Argentina está ali muito próxima da França, acho que eles estão realmente acima do que eu esperava. A Inglaterra também está muito bem, então para mim a ordem de quem chega melhor entre os favoritos seria: França, Argentina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Eu colocarei a Espanha em terceiro porque ainda acho que eles têm um teto de crescimento muito grande.
Fred Caldeira: Eu tenho minhas dúvidas se Portugal vai conseguir dar o próximo passo com o Cristiano Ronaldo. Talvez o próximo passo seja já sem o CR7. Não acho que ele seja o grande problema, não acho até que ele seja um problema. O que eu acho é que ele é um ponto a ser questionado, como foi inclusive na última Copa. Mas também não deu certo colocar o Cristiano no banco.
Julgo que o maior problema de Portugal é ter treinadores que não estão à altura da qualidade do elenco. Foi assim com Fernando Santos, apesar do título da Euro, e é mais uma vez assim com Roberto Martínez. Acho que hoje o grande problema de Portugal se chama Roberto Martínez.
Fred Caldeira: Acho que dá pra colocar os Países Baixos, viu? Eles já têm um jogo duríssimo, um dos melhores dessa fase de 16 avos, com o Marrocos. Acho que eles podem sim surpreender. Seria uma surpresa muito grande os Países Baixos chegarem em uma semifinal, por exemplo, né? Então eu colocaria eles como a principal possível surpresa.
Fred Caldeira: Eu não acho que o Messi superou o Pelé, até porque é uma comparação que fica até quase difícil de ser feita. O Pelé "fez" o esporte que o Messi abrilhantou. O Pelé fez o futebol, e aí o Messi foi o melhor desse esporte que o Pelé criou. Acho que dá pra colocar numa frase assim.
Fred Caldeira: O sucesso da Copa com 48 seleções é percebido em vários aspectos, como a história de Cabo Verde, os gols das estreantes... Tivemos algumas grandes surpresas que dão essa sensação de que já é um sucesso, mas a gente tem esse problema das classificações dos terceiros colocados. Algumas terceiras colocadas jogaram antes do que outras, e as que jogaram depois já entraram em campo sabendo melhor o que tinham de fazer, até em termos de saldo de gols.
Acho que é um problema quando você só classifica alguns da mesma posição. Isso pode ser consertado com 64 seleções. Talvez uma Copa com 64 seleções seja um Mundial que abrace também todas as eliminatórias, e assim as eliminatórias pararão de fazer sentido.