Equipe fundada em 2014 foge totalmente do estereótipo de força bruta e agressividade que domina o MMA mundial
Quem são os Fighting Nerds? A equipe de Carlos Prates, que lutará neste final de semana contra Jack Della Maddalena no UFC Perth, chama a atenção pelo jeito em que aborda os combates: um problema a ser resolvido.
Fundado em 2014, o time se destaca por unir estratégia, estudo e um símbolo inusitado: óculos pretos sem lentes, colados com fita no meio - que já se tornaram um fenômeno para quem acompanha o UFC.
A Fighting Nerds surgiu quando Caio Borralho (o The Natural) e seu treinador, Pablo Sucupira, se conheceram. Sucupira, então redator publicitário, enxergou algo diferente naquele atleta: não apenas dedicação física, mas uma inclinação para pensar o combate de forma lógica. Mais do que treinar, os dois começaram a estruturar uma academia praticamente do zero - e com uma filosofia própria de luta.
Na equipe, a ideia central é simples, mas pouco convencional: lutar é resolver problemas. Cada adversário representa um quebra-cabeça, e a vitória depende menos de resistência pura e mais da capacidade de análise. A abordagem deu certo: outros nomes importantes do MMA foram atraídos ao longo do tempo, como Mauricio Ruffy e o próprio Prates.
Os fundadores nunca assumiram o estereótipo de "bad boys", pelo contrário: sempre mostrarm com orgulho o lado nerd. Caio, por exemplo, já deu aulas particulares de matemática e química.
Os famosos óculos já se tornaram uma marca registrada da Fighting Nerds. O que começou como uma brincadeira, virou identidade: hoje, eles aparecem não apenas nos lutadores e córneres, mas também em figuras conhecidas do UFC, como os repórteres Joe Rogan e Daniel Cormier.
O projeto da Fighting Nerds vai além da preparação física: a equipe também investe na formação pessoal dos atletas com aulas de inglês, oratória e sessões coletivas de estudo de lutas. A proposta é uma só: formar lutadores mais completos dentro e fora do cage, com alta capacidade de pensar, se comunicar e se adaptar.
“Queremos mudar a percepção sobre o que é ser um lutador e mostrar que qualquer pessoa, inclusive quem sempre foi visto como nerd, pode chegar ao mais alto nível dos esportes de combate” declarou Borralho ao Sherdog.com.