Expressão foi utilizada por jogadores do clube de La Plata antes da cobrança de pênalti de Memphis Depay; conheça sua origem
Aos 55 minutos do segundo tempo da partida entre Corinthians e Estudiantes, o árbitro marcou um pênalti a favor do Timão. Na bola, Memphis Depay, maior artilheiro da História da seleção neerlandesa e grande nome do elenco corintiano. Enquanto o camisa 10 se preparava para o chute, os jogadores da equipe argentina começaram a entoar incessantemente uma palavra: Kiricocho.
Como em um passe de mágica, Memphis mandou a bola para as arquibancadas e o Estudiantes venceu o jogo por 1 a 0, garantindo a vaga para as semifinais da Copa Libertadores. A expressão argentina - nascida justamente no alvirrubro de La Plata - para trazer azar aos adversários fez mais uma vítima...
Para entender a essência de Kiricocho, é preciso voltar aos anos 80, uma época em que o futebol argentino estava prestes a viver um momento de glória. Carlos Bilardo, o técnico que levou a Argentina ao título da Copa do Mundo de 1986, comandava o Estudiantes de La Plata. Entre os torcedores do clube, havia um homem que não perdia um único treino, um seguidor apaixonado que, no entanto, não era bem-visto por jogadores e comissão técnica.
O motivo era simples: toda vez que Kiricocho estava presente, algo ruim acontecia. Lesões, eventos trágicos, pura má sorte... Cada sessão de treinamento se transformava em um pesadelo, e sua presença parecia carregar uma sombra de mau agouro.
Ninguém acredita em superstições até que elas se tornam realidade. Por isso, a diretoria do clube decidiu afastar Kiricocho, vendo nessa atitude a única solução possível. Contudo, sentiam-se culpados, pois o homem era um torcedor genuíno, e o ostracismo parecia injusto.
A situação permaneceu indefinida até a chegada de Bilardo, um treinador pragmático e, ao mesmo tempo, supersticioso. Ele decidiu transformar o azar em uma oportunidade: deu a Kiricocho a tarefa de recepcionar os times adversários quando o Estudiantes jogava em casa. O resultado? O time se sagrou campeão, perdendo apenas uma partida em seus domínios - contra o Boca Juniors, curiosamente a única em que Kiricocho esteve ausente.
O nome desse torcedor virou lenda. A superstição se misturou com a fé e o misticismo. Sempre que um adversário se preparava para bater um pênalti ou um atacante ficava cara a cara com o goleiro, seu nome era invocado. Kiricocho se tornou um mantra, um grito de guerra, e a expressão se espalhou pela Argentina, usada para trazer má sorte em todo tipo de competição, de um jogo de cartas a uma partida de futebol amador.
Em La Plata, ninguém nunca mais ouviu falar dele. O torcedor foi procurado por toda parte pela imprensa, que tinha a esperança de entrevistá-lo e conhecer o personagem que deu vida a essa lenda, mas ele jamais foi localizado. No entanto, apesar de ter desaparecido fisicamente, Kiricocho permanece imortal - um símbolo de azar para uns e de esperança para outros, presente em todos os estádios do mundo.
⚽ Clique aqui e confira todas as novidades da Copa Libertadores