A trajetória de Luis de la Fuente, do sub-19 à seleção principal, e os jogadores que cresceram com ele até a final da Copa do Mundo de 2026.
A Espanha disputará a final da Copa do Mundo de 2026 contra a Argentina no domingo, 19 de julho, e grande parte dessa história pode ser explicada por um único nome: Luis de la Fuente. O técnico, natural de La Rioja, não chegou à seleção principal vindo de um clube, mas sim subindo degrau por degrau dentro da estrutura da Federação Espanhola de Futebol. E ele fez essa jornada acompanhado por um grupo de jogadores que hoje são titulares na La Roja.
Diferentemente de quase todos os seus antecessores, De la Fuente se formou como treinador dentro da estrutura da federação. Em maio de 2013, ele se juntou à RFEF para comandar as categorias de base, um movimento que, a longo prazo, definiria a renovação geracional da seleção principal.
Em 19 de julho de 2015, De la Fuente levou a Espanha à conquista da Eurocopa Sub-19, com uma vitória por 2 a 0 sobre a Rússia na final. Aquela equipe já contava com dois jogadores que, mais de uma década depois, continuam sob seu comando na seleção principal:
Rodri, hoje o motor do meio-campo e vencedor da Bola de Ouro.
Mikel Merino, peça-chave no setor e nas jogadas de bola parada.
Este título foi o embrião de uma ideia que a federação acabaria por recompensar: permitir que o treinador que formava os jovens os acompanhasse em sua ascensão.
Em julho de 2018, após a saída de Albert Celades, De la Fuente assumiu a seleção sub-21. Um ano depois, em 30 de junho de 2019, ele levantou a Eurocopa Sub-21 ao vencer a Alemanha por 2 a 1 na final.
Daquela geração campeã, surgiram nomes que hoje são figuras carimbadas na La Roja:
Dani Olmo, referência ofensiva.
Mikel Oyarzabal, autor do pênalti que abriu o placar na semifinal contra a França.
Fabián Ruiz, dono do meio-campo.
Unai Simón, goleiro titular.
A essa etapa somam-se outros dois jogadores do atual grupo mundialista. Ferrán Torres estreou no sub-19 de De la Fuente em janeiro de 2018 e no sub-21 em setembro de 2019. Já Pedro Porro foi convocado para a Euro Sub-21 de 2019, mas uma lesão o impediu de disputar o torneio.
A RFEF confiou a De la Fuente a equipe olímpica para os Jogos de Tóquio 2020 (disputados em 2021 devido à pandemia). A Espanha chegou perto do ouro, mas foi derrotada na prorrogação da final pelo Brasil (2 a 1). No entanto, aquela lista de medalhistas de prata se mostrou decisiva para o futuro.
Nada menos que oito daqueles atletas olímpicos estão na convocação para a Copa do Mundo de 2026: Unai Simón, Eric García, Marc Cucurella, Martín Zubimendi, Mikel Merino, Mikel Oyarzabal, Pedri e Dani Olmo.
A grande narrativa desta seleção é a continuidade. Abaixo, a lista dos jogadores que cresceram com De la Fuente desde as categorias de base até a final do Mundial, em ordem de antiguidade:
JOGADOR | COM DE LA FUENTE DESDE | CONQUISTAS |
Rodri | Sub-19 (2015) | Euro sub-19, Nations League, Euro 2024 |
Mikel Merino | Sub-19 (2015) | Euro sub-19, Tóquio 2020, Euro 2024 |
Dani Olmo | Sub-21 (2019) | Euro sub-21, Tóquio 2020, Euro 2024 |
Mikel Oyazarbal | Sub-21 (2019) | Euro sub-21, Tóquio 2020, Euro 2024 |
Fabián Ruiz | Sub-21 (2019) | Euro sub-21, Euro 2024 |
Unai Simón | Sub-21 (2019) | Euro sub-21, Tóquio 2020, Euro 2024 |
Pedri | Tóquio 2020 | Prata Olímpica, Euro 2024 |
Marc Cucurella | Tóquio 2020 | Prata Olímpica, Euro 2024 |
Martín Zubimendi | Tóquio 2020 | Prata Olímpica, Euro 2024 |
Eric García | Tóquio 2020 | Prata Olímpica |
Rodri e Merino representam o caso mais extremo: estão há mais de dez anos sob o comando do mesmo treinador, desde o título juvenil de 2015 até a véspera de uma final de Copa do Mundo.