Um dos estaduais mais tradicionais do Brasil acumula fórmulas incomuns de disputa; veja quais
Com 124 anos de existência ininterrupta, o Campeonato Paulista é a liga de futebol mais antiga do Brasil. Ao longo de mais de um século de existência, o torneio já teve um total de 102 clubes participantes - muitos deles extintos.
Tantas edições realizadas levam a Federação Paulista de Futebol a renovar constantemente a fómula de disputa para manter vivo o interesse dos torcedores, adequar o calendário ao Brasileirão ou simplesmente buscar inovações. Confira abaixo algumas das fórmulas de disputa mais "exóticas" que o Paulistão já teve.
Com o Campeonato Brasileiro se iniciando já em janeiro, os campeonatos estaduais tiveram de adequar seus calendários para tornar a tabela mais "enxuta". Com isso, o Paulistão adotou um modelo semelhante ao da UEFA Champions League: 16 equipes são divididas em quatro potes, sendo um deles com os chamados "quatro grandes": Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo.
Todos os times fazem apenas oito jogos na 1ª fase (de pontos corridos). Os oito melhores avançam para a 2ª fase (mata-mata a partir das quartas de final) e os dois piores caem. No mata-mata, todos os confrontos são decididos em jogo único, exceto a final (ida e volta).
Entre 2014 e 2025, os 16 times eram divididos também em 4 grupos, porém com um fato incomum: as equipes do mesmo grupo não jogavam entre si, apenas contra os rivais das outras chaves. A classificação para a 2ª fase era computada somente dentro dos mesmos grupos, nos quais os dois melhores avançavam.
Isso frequentemente gerava protestos devido aos sorteios, já que grupos mais fáceis permitiam a classificação com muito menos pontos somados. Em 2024, o São Bernardo conquistou 21 pontos na 1ª fase e não avançou. A Portuguesa, por outro lado, se classificou com 10 pontos somados.
Na década de 90, especialmente entre 1995 e 98, a Federação Paulista de Futebol resolveu "importar" juízes de outros países para apitar os jogos decisivos do campeonato, com a justificativa de garantir a imparcialidade e evitar polêmicas. Graças a esta decisão, vários árbitros de renome do futebol mundial chegaram a apitar duelos do Paulistão, como Oscar Ruiz (Colômbia), Markus Merk (Alemanha), Claude Colombo (França) e Javier Castrilli (Argentina).
Este último colocou a estratégia da FPF em evitar polêmicas por água abaixo: na semifinal de 1998 entre Corinthians e Portuguesa, o argentino marcou um pênalti inexistente para o Timão alegando que a bola tocou no braço do zagueiro César, da Lusa (na verdade as imagens mostravam claramente que o toque foi no peito do atleta). Marcelinho Carioca cobrou a penalidade e acabou colocando o Alvinegro na final do torneio daquele ano, vencido pelo São Paulo.
Em 2002, com a realização do Torneio Rio-São Paulo, várias equipes não participaram do Paulistão: Corinthians, Etti Jundiaí (Paulista), Guarani, Palmeiras, Ponte Preta, Portuguesa, Santos, São Caetano e São Paulo. O Ituano se sagrou campeão do torneio.
Para manter o interesse da maior parte dos torcedores do estado, a FPF criou o Supercampeonato Paulista, no qual participaram o campeão paulista Ituano e os três melhores paulistas no Torneio Rio-São Paulo (o campeão Corinthians, São Paulo e Palmeiras). Realizada a partir das semifinais, a competição teve o São Paulo como campeão.
Na edição de 1994, o Paulistão foi disputado em duas fases. Porém, em uma medida polêmica, foi instituída uma "repescagem" na qual as equipes eliminadas na 1ª fase disputavam uma espécie de "playoffs". Ou seja, mesmo os times que fizeram uma péssima campanha ainda tinham chances de conquistar uma vaga no quadrangular final.
Esta fórmula de disputa foi criticada na época por permitir que as grandes equipes se salvassem do rebaixamento nestes "playoffs" contra as equipes menores e ainda tivessem a chance de disputar o quadrangular final, enquanto os times menores que fizeram boas campanhas na 1ª fase ainda corriam o risco de perder a vaga na fase decisiva devido à essa "repescagem".
Entre as décadas de 70 e 80, as finais frequentemente eram disputadas em formato "melhor de três". O problema é que o saldo de gols não valia como critério de desempate: se uma equipe ganhasse o 1º jogo por 3x0 e perdesse o 2º por 1x0, a realização do 3º jogo era obrigatória do mesmo jeito.
A bizarrice residia no fato de que se o 3º jogo terminasse empatado após a prorrogação, o título ia para a equipe de melhor campanha geral nas fases anteriores - ou seja, os gols marcados nos jogos da final eram totalmente ignorados.
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