Filho de pai norueguês e mãe brasileira, atleta cresceu entre as duas culturas e decidiu representar o país em 2024
Um forasteiro. É assim que o esquiador alpino Lucas Pinheiro Braathen se define. Filho de um norueguês e uma brasileira, o atleta nasceu em Oslo, se mudou para o Brasil aos três anos - quando seus pais se divorciaram - e retornou à Noruega quando o pai obteve sua guarda legal. Mesmo assim, Lucas viajava ao Brasil pelo menos uma vez por ano desde que completou 11 anos. "O Brasil é metade de mim", declarou, em entrevista ao Red Bulletin. Porém, se por um lado a criação dupla fazia parte de sua identidade, por outro lado era um obstáculo para o atleta se encaixar em ambos os países.
Vivendo em estações de esqui para acompanhar as frequentes mudanças de emprego do pai, Lucas foi apresentado ao esqui quando tinha 4 anos de idade. Com o sonho de se tornar jogador de futebol, o atleta não se convenceu da modalidade: falava que gostava mesmo era das praias brasileiras e que ficaria doente se esquiasse. Isso mudou aos 8 anos, quando o norueguês-brasileiro viu um grupo de esquiadores de competição e ficou impressionado com a agilidade e a velocidade deles. Decidiu treinar e, desde então, nunca mais parou.
Em 2016, aos 16 anos, Lucas passou a competir no Campeonato Noruguês Juvenil de Esqui Alpino, onde conquistou sua primeira vitória um ano depois. No Campeonato Nacional de 2018, o atleta terminou em segundo lugar e passou a integrar a seleção norueguesa, com a qual ganhou seu primeiro ouro no slalom gigante na temporada 20-21 da Copa do Mundo. A glória viria apenas dois anos depois, quando venceu três etapas e foi ao pódio em outras quatro, o que lhe garantiu o título geral da Copa do Mundo de Slalom.
Nesta mesma temporada, logo após o título mundial, Lucas entrou em atrito com a Federação Norueguesa e, para a surpresa de todos, anunciou sua aposentadoria da carreira de esquiador alpino. A reviravolta veio um ano depois, quando o atleta convocou uma coletiva de imprensa para comunicar seu retorno às pistas defendendo as cores do Brasil. "Cheguei a um ponto em que perdi o sentido de esquiar. Precisava parar para entender quem eu era", declarou, ao Red Bulletin.
Em novembro do ano passado, Pinheiro escreveu definitivamente seu nome na História do esporte brasileiro ao ser o primeiro atleta do país a vencer uma etapa da Copa do Mundo, em Levi, na Finlândia. A comemoração com a bandeira brasileira nos ombros e as botas de caubói no pódio rodou o mundo.
Após a escolha pelo Brasil, Lucas automaticamente se tornou uma das grandes esperanças do país para conquistar a primeira medalha da História nos Jogos de Inverno. O esquiador fará parte da delegação verde-amarela em Milão-Cortina, unindo a disciplina norueguesa à energia brasileira para conseguir o feito inédito. Seu pai, Björn, o apoia na empreitada: "Como norueguês, as pessoas esperam que eu me sinta mal sobre isso (a troca pelo Brasil), mas não me sinto. Ele é meu filho e eu só quero vê-lo feliz", declarou à Associated Press. Lucas ressalta que não deixou a parte norueguesa de lado: "Sou uma pessoa de duas culturas".
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 começam no dia 6 de fevereiro e se encerram no dia 22 do mesmo mês. Saiba tudo sobre a competição.