Após um ano no Manchester United, Ruben Amorim parece ter finalmente motivos para sorrir.
O português foi anunciado como novo técnico do United a 1 de novembro de 2024 e desde então viveu uma montanha-russa de emoções e situações, mas parece ter encontrado agora alguma estabilidade.
Desde dificuldades com jogadores relativas a profissionalismo e comprometimento, e o pior resultado na Premier League na história do clube (15º), até à derrota na final da Europa League 2024/25.
A nova temporada começou esperançosa graças às mudanças no elenco, mas um mau arranque, muitos nervos e a eliminação da Copa da Liga Inglesa pelo Grimsby Town da quarta divisão voltaram a levar a rumores de despedimento.
A verdade é que Amorim sobreviveu a tudo isso e a um registo de apenas 21 vitórias (além de 14 empates e 19 derrotas) em 54 jogos, se mantendo fiel à sua tática.
Há 12 meses, Amorim chegou ao United, que estava em 14º lugar na tabela, com 11 pontos em nove jogos e um saldo de gols de -3. Agora, o time está em sétimo lugar, com 18 pontos em 11 jogos, um saldo de gols de +1 e a qualificação para as competições europeias – o grande objetivo para essa temporada – bem acessível.
A viagem até o Tottenham Hotspur Stadium no sábado passado foi a 54ª partida de Ruben no comando dos Reds, e, apesar do empate, o time conseguiu seu quinto jogo consecutivo sem derrota, em uma boa série que inclui um triunfo em Anfield contra o campeão Liverpool – o primeiro em nove anos e uma grande motivação para jogadores e torcedores.
O bom momento é também claro pelo fato do português ter vencido o prêmio de Treinador do Mês da Premier League em outubro.
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O treinador, bicampeão no Sporting, tinha um histórico admirável, juventude e era um dos técnicos mais cobiçados do mercado, tendo sido apontado ao Liverpool antes da chegada de Arne Slot.
Parecia a opção perfeita para iniciar a nova era do United, que tinha também um novo proprietário. Mas as coisas não foram fáceis, pelo contrário. Amorim chegou a um time desmoralizado, com problemas no balneário, e suas mudanças táticas complicaram mais a situação e tardaram a resultar.
Com o passar do tempo, a descrença era notória quer em campo – mesmo quando o time começava bem, acusava a pressão de precisar de pontos e cometia erros que permitiam a virada dos adversários – quer nas bancadas, com muitos torcedores pedindo que o técnico abandonasse seu 3-4-3 característico ou deixasse o clube.
No entanto, os donos do clube mantiveram a confiança em sua escolha, lembrando que essa é uma aposta para um projeto desportivo a longo prazo, e não a exigência de resultados imediatos como aconteceu na última década do clube e levou a um vai e vem de treinadores, sem tempo para que suas mudanças pudessem surgir efeito.
Só no mercado de verão, Amorim teve, pela primeira vez, poder para limpar a casa, com as saídas de Marcus Rashford e Alejandro Garnacho, além de Rasmus Hojlund e Andre Onana, entre outros, e para comprar jogadores que se adaptem ao seu estilo de jogo. Ele gastou um total de 250 milhões de euros na linha atacante - Bryan Mbeumo, Matheus Cunha e Benjamin Sesko, além do goleiro Senne Lammens.
A chegada do belga para o gol trouxe mais segurança à defesa do United, e os desempenhos de Luke Shaw e Matthijs De Ligt melhoraram um pouco, mas ainda não o suficiente ou não tivesse o United a 14ª pior defesa do campeonato. Razão pela qual muitos torcedores continuam a questionar a teimosia do técnico em manter o 3-4-3, que coloca pressão adicional na já fragilizada linha defensiva.
Já Casemiro parece ter reencontrado o gosto pelo futebol e Bryan Mbeumo trouxe de volta ao time dinamismo e eficácia na artilharia. Duas peças fundamentais da curva ascendente que os Red Devils atravessam.
Em entrevista à MUTV – canal de televisão do clube - o português admitiu que aprendeu muito sobre si como técnico nesses momentos difíceis:
“Durante minha carreira como técnico, passei a maior parte do tempo vencendo. Quando você está vencendo, pode dizer que tem convicções e é fiel às suas ideias, mas você aprende quando perde, quando está sob pressão, e aprendi que, quando estou sob pressão, fico mais forte em minhas ideias, continuo fiel a elas e consigo manter meu plano”, explicou.
Sobre o estado de ânimo nos jogadores, claramente mais confiantes desde que os resultados começaram a ser positivos, Amorim afirmou:
“Quando você ganha jogos, você trabalha melhor, gosta de estar aqui, gosta de passar tempo com seus companheiros de equipe, então é completamente diferente. Durante a semana, não senti aquela sensação de ‘ganhamos alguns jogos, vamos relaxar’, foi o contrário: mais confiança, mais alegria, mas, ao mesmo tempo, mais ritmo, mais intensidade. É muito melhor trabalhar assim, mas para manter isso temos apenas uma opção: continuar vencendo os jogos”.