Sarina Wiegman tinha feito história na anterior Eurocopa Feminina quando, ao levar a Inglaterra à glória, se tornou a primeira treinadora — masculina ou feminina — a vencer o Campeonato Europeu de Futebol com dois países diferentes.
Agora, a holandesa entrou para outro clube de elite ao se tornar a segunda treinadora — depois da alemã Tina Theune — a conquistar três títulos europeus consecutivos.
Wiegman já gravou seu nome na história da seleção inglesa ao se tornar a segunda treinadora, depois de Sir Alf Ramsey, a levar a seleção nacional a um título importante, encerrando uma espera de 56 anos desde que Bobby Moore ergueu o troféu da Copa do Mundo masculina, em Wembley.
Ela esteve muito perto de superar essa marca e levar a Inglaterra à final da Copa do Mundo há dois anos, mas acabou perdendo por 1 a 0 para a Espanha.
Dois anos depois, a revanche se cravou, com mais recordes quebrados e feitos alcançados pela mulher que guiou as Lionesses ao auge do futebol, conquistando títulos consecutivos da Eurocopa.
Quase assim que começou a andar, Sarina Wiegman já jogava futebol com os meninos, aos oito anos já jogava em um time masculino e, na adolescência, era considerada em sua terra natal, a Holanda, uma jovem jogadora com um grande futuro, algo que acabou se tornando um eufemismo.
Com mais de 100 partidas pela seleção holandesa e alguns troféus conquistados, a ex-meia que virou zagueira teve muito sucesso como jogadora, mas o superou de forma espetacular com uma carreira de destaque como treinadora.
Com sucesso ao nível de clubes, vencendo a Copa da Holanda com o Ten Leede e a dobradinha com o Den Haag, ela se tornou a treinadora principal da seleção da Holanda em dezembro de 2016. Mas provavelmente nem mesmo ela poderia ter previsto o sucesso que teria no comando de sua própria seleção nacional, levando-a à glória na Eurocopa apenas alguns meses depois e à final da Copa do Mundo dois anos depois, perdendo por 2 a 0 para os Estados Unidos.
A Eurocopa com a Holanda
Quatro anos após terminar em último lugar em seu grupo na Euro 2013, havia pressão sobre a equipe e sobre Wiegman. Ela podia ser nova no cargo, mas a Holanda jogava em casa e as expectativas eram altas.
Classificada em 9º lugar pela UEFA antes do torneio, esperava-se que a equipe anfitriã chegasse, no mínimo, às quartas de final.
Em vez disso, a Holanda apresentou uma equipe inspirada e com um futebol atraente, que foi melhorando à medida que o torneio avançava, tornando-se apenas a quarta nação diferente a levantar o troféu, após bater a Dinamarca por 4 a 2.
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A Eurocopa com a Inglaterra
O próximo desafio de Wiegman era a conquista Eurocopa de 2021 (que acabou sendo adiada um ano).
Dessa feita, ela seria a treinadora principal da seleção anfitriã – Inglaterra, que era uma das favoritas, após boas atuações em competições recentes e por jogar em casa. Mas, elas precisavam ser transformadas em uma força vencedora e, nas mãos competentes da técnica holandesa, foi exatamente isso que aconteceu.
As Lioneses passaram pela fase de grupos sem sofrer nenhum gol, sobreviveram a um grande susto contra a Espanha nas quartas de final e, em seguida, venceram a Alemanha por 2 a 1 na prorrogação, para conquistar o título europeu pela primeira vez.
O triplo sucesso
Essa era a próxima tarefa na lista de Wiegman e a treinadora holandesa fez história na Suíça.
A Espanha, merecida vencedora da Copa do Mundo, chegou como favorita para triunfar em Basileia com um time de jogadoras de classe, especialmente no ataque. Mas, como as Lionesses provaram tantas vezes, subestimá-las é um risco.
Com suas chances descartadas após a derrota na estreia para a França, a equipe de Wiegman respondeu de forma enfática com goleadas sobre a Holanda e o País de Gales.
Estando a perder por dois gols a 12 minutos do fim das quartas de final contra a Suécia, a Inglaterra marcou dois gols rápidos (Lucy Bronze e Michelle Agyemang), forçando a prorrogação e depois os pênaltis, onde prevaleceu em uma disputa tensa.
À beira da eliminação contra a Itália nas semifinais, a super reserva Agyemang – que acabou vencendo o troféu de melhor jogadora jovem do torneio - salvou novamente a Inglaterra, antes de Chloe Kelly cravar a vitória nos últimos instantes da prorrogação.
Na final, a Inglaterra conquistou títulos consecutivos e mostrou mais uma vez o grande talento de Sarina Wiegman no comando.