Sem Neymar, mas com Casemiro, Ancelotti surpreendeu com novos nomes na sua primeira lista para Brasil × Equador e Brasil × Paraguai. Entenda a filosofia do técnico italiano e o que esperar da Seleção.
Nos últimos quatorze anos, nenhum nome gerou tanta discussão quanto Neymar. Hoje, porém, é necessário destacar a coragem de Carlo Ancelotti. O italiano bancou sua autonomia, ignorou pressões internas da CBF e apresentou uma convocação totalmente alinhada aos seus critérios técnicos e físicos.
O resultado? Neymar ficou de fora, Rodrygo também (mas este teve uma conversa prévia com o treinador), e jogadores menos badalados ganharam espaço. A decisão, apesar de 'polêmica', traz sinais claros de como Ancelotti pretende conduzir a Seleção Brasileira rumo à Copa do Mundo.
Goleiros
Alisson (Liverpool-ENG)
Hugo Souza (Corinthians-BRA)
Bento (Al Nassr-KSA)
Zagueiros
Marquinhos (Paris Saint-Germain-FRA)
Lucas Beraldo (Paris Saint-Germain-FRA)
Danilo (Flamengo-BRA)
Léo Ortiz (Flamengo-BRA)
Alexsandro (Lille-FRA)
Laterais
Vanderson (Monaco-FRA)
Alex Sandro (Flamengo-BRA)
Carlos Augusto (Inter de Milão-ITA)
Wesley (Flamengo-BRA)
Meio-campistas
Bruno Guimarães (Newcastle-ENG)
Casemiro (Manchester United-ENG)
Gerson (Flamengo-BRA)
Éderson (Atalanta-ITA)
Andreas Pereira (Fulham-ENG)
Andrey Santos (Strasbourg-FRA)
Atacantes
Vinicius Júnior (Real Madrid-ESP)
Raphinha (Barcelona-ESP)
Gabriel Martinelli (Arsenal-ENG)
Richarlison (Tottenham-ENG)
Matheus Cunha (Wolverhampton-ENG)
Antony (Betis-ESP)
Estêvão (Palmeiras-BRA)
Ao analisar a lista de convocados, o recado do treinador foi perceptível: desempenho e condição física falam mais alto que reputação. Neymar, aos 33 anos, ainda tenta recuperar ritmo após lesão e sequer tem conseguido completar 45 minutos pelo Santos.
Ancelotti não quis arriscar levá-lo para o banco e gerar ruído dentro do grupo. Segundo algumas notícias, Ancelotti chegou a ligar para o craque brasileiro, explicando os motivos da ausência do nome do atleta na lista e deixando a porta aberta: “Conto com você quando estiver 100 %”.
Se Neymar perdeu espaço, Casemiro voltou com status de pilar. A boa relação entre o jogador e o treinador no real Madrid, sugere que Ancelotti confia muito no trabalho do volante.
O italiano valoriza liderança silenciosa, poder de marcação e leitura tática, atributos que Casemiro domina. Com 32 anos, ele deve herdar a braçadeira de capitão e servir de mentor para jovens que chegam à equipe. Essa mescla de experiência e entusiasmo exemplifica a filosofia do técnico: unir carisma à atitude competitiva.
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Ancelotti observou quase exclusivamente atletas que atuam na Europa, mas trouxe surpresas:
Hugo Souza (Corinthians) — Indicado por Taffarel, vive fase excelente e briga diretamente com Bento pela reserva de Alisson.
Alessandro Ribeiro — Zagueiro do Lille que também atua na lateral-direita, destacado pela versatilidade.
Andrey Santos — Volante revelado pelo Vasco, hoje no Strasbourg, elogiado pela maturidade tática.
Além deles, há o retorno de Richarlison, recuperado física e mentalmente, e o perdão a Antony após o desfecho de acusações pessoais. Já Lucas Paquetá segue fora. Outro nome observado fora da lista foi o de Endrick.
Observando o histórico de Carlos Ancelotti e sabendo que ele gosta do 4-4-2 com bastante compactação, podemos imaginar um esquema e escalação. A formação mais provável para o confronto contra o Equador seria:
Alisson; Vanderson, Marquinhos, Beraldo, Carlos Augusto; Casemiro, Andrey Santos, Bruno Guimarães, Raphinha; Matheus Cunha (ou Richarlison) e Vinícius Júnior.
O técnico valoriza organização defensiva, transições rápidas e liberdade criativa nos homens de frente, razão pela qual escolheu atletas em pleno auge físico. Quem não atinge esse patamar, por maior que seja o nome, fica de fora. Simples assim.
Um ponto que chamou atenção foi a postura de Samir Xaud durante a coletiva. O presidente, mesmo desejando Neymar, deixou claro diante de mais de duzentos jornalistas: “Você tem total autonomia”. Essa carta-branca mostra que a CBF aposta na experiência do italiano para reorganizar a Seleção.
Contudo, esse tipo de afirmação, ainda que feita por um novo presidente, coloca em dúvida qual era a autonomia que alguns treinadores anteriores tinham em relação a suas convocações e escalações.
No entanto, Ancelotti respondeu enfatizando compromisso e sacrifício como pilares de um grupo vencedor. Ele não quer dependência de estrela alguma; quer, antes, um elenco coeso que represente a sociedade brasileira dentro e fora de campo.
Sem Neymar, a responsabilidade criativa recairá sobre Vinícius Júnior e Raphinha. Ambos vivem fase técnica excelente e têm velocidade para explorar defesas fechadas. Ainda, gera algumas curiosidades sobre como Matheus Cunha ou Richarlison ocuparão a referência do ataque, já que o treinador gosta de dois homens de frente móveis.
No meio, a trinca Casemiro-Andrey Santos-Bruno Guimarães promete equilíbrio entre marcação e construção. Na defesa, Alisson passa segurança, assim como Marquinhos. Sendo assim, o Brasil tem totais possibilidades de fazer uma boa estreia com o treinador italiano a frente da equipe.