Filho de um suíço e uma libano-brasileira, snowboarder esteve no país pela primeira vez em 2025
Depois de uma carreira de 15 anos representando a Suíça nas principais competições de snowboard halfpipe do mundo, Pat Burgener está se conectando à cultura do país que escolheu representar em Milão-Cortina 2026. Filho de um suíço e uma libano-brasileira, o atleta de 31 anos esteve no Brasil pela primeira vez em agosto do ano passado, quando conheceu bares, restaurantes e a sede da CBDN (Confederação Brasileira de Desportos na Neve).
Pat sempre teve curiosidade pelo país da mãe. Na infância e adolescência, sempre ouvia as histórias que a mãe, Pauline, contava sobre o período em que viveu no Brasil, lugar que escolheu morar após fugir da Guerra Civil Libanesa. Mesmo após se mudar para a Suíça com o objetivo de estudar biologia e conhecer Hervé, pai de Pat, ela não se esqueceu dos costumes verde-amarelos.
"A mentalidade da minha mãe não é suíça. Nossa casa sempre foi aberta a todas as pessoas. Eu cresci com essa mentalidade bem brasileira, mais quente e calorosa", declarou Pat em entrevista ao Olympics.com.
Com uma carreira sólida no snowboard halfpipe e inúmeros títulos conquistados pela seleção suíça, Pat foi chamado de louco quando optou por trocar de nacionalidade. A ideia já vinha acompanhando-o, mas o estímulo que faltava veio quando ele viu Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino, anunciar que competiria pelo Brasil em 2024.
"Todos falavam que estava louco, que mudar de país é difícil, mas estava certo que foi uma boa ideia. Para mim, todos os projetos que são loucos são os melhores", explicou o atleta também ao Olympics.com.
Burgener sempre foi uma pessoa conhecida por tomar decisões inesperadas. Aos 13 anos, decidiu largar a escola para se dedicar integralmente ao snowboard e, 1 ano depois, já fazia parte da seleção suíça da modalidade como atleta profissional.
No ano de 2014, aos 20 anos, enquanto se recuperava de uma grave lesão, decidiu conciliar sua carreira de atleta com a de músico. Pat toca violão, gaita, piano e percussão, fruto do incentivo paterno logos aos 4 anos de idade, quando Hervé decidiu que os três filhos deveriam aprender a tocar um instrumento. Em 2018, o snowboarder lançou seu primeiro EP e, em 2023, seu primeiro álbum, entitulado PAT. Hoje, o atleta tem uma agenda completa de shows, que ele concilia com o período de competições. Sua música Staring At The Sun acumula mais de 7 milhões de reproduções no Spotify.
A música também ajudou o suíço-brasileiro a lidar com o TDAH, condição com a qual foi diagnosticado aos 8 anos. Pat também aposta no zen para cuidar da saúde física e mental, tendo passado recentemente por um período de meditação e autoconhecimento na Coreia do Sul para chegar a Milano-Cortina na melhor forma e conquistar uma medalha inédita para o Brasil no snowboard e nos próprios Jogos de Inverno.
“Este é o melhor momento. Ainda estou no topo e posso conquistar coisas grandes”, declarou Pat.
Os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026 começam no dia 6 de fevereiro e se encerram no dia 22 do mesmo mês. Saiba tudo sobre a competição.